DOENÇAS NA GRAVIDEZ...
Complicações da gravidez
Dados da Rede Saúde (Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos) dão conta que, anualmente, morrem 585 mil mulheres, por complicações de gravidez, parto e puerpério. Dados da Organização Mundial de Saúde/Unicef apontam ainda que 99% dos casos de morte maternas ocorrem em países em desenvolvimento.
As mortes maternas correspondem a cerca de 6% dos óbitos de mulheres de 10 a 49 anos no Brasil e as principais causas são as síndromes hipertensivas, hemorragias, complicações do aborto e infecções puerperais, que são causas obstétricas diretas, responsáveis por 89% das mortes maternas em nosso país(DataSus). As causas obstétricas diretas dependem da qualidade da assistência durante o ciclo gravídico puerperal.
As síndromes hipertensivas são responsáveis por quase um terço das mortes maternas no Brasil. Além dos problemas ligados à qualidade da atenção à saúde, um estudo realizado no Paraná sobre mortalidade materna entre mulheres negras, mostra que a hipertensão é um fator de risco de morte materna maior em mulheres das raça amarela e preta.
A idade em seus extremos: menos de 15 anos e mais de 35 anos é um fator de risco de morte associado à síndromes hipertensivas e hemorrágicas. As adolescentes até 14 anos que estão grávidas pela primeira vez e as mulheres com mais de 35 anos em primeira gestação estão mais predispostas a desenvolverem a doença hipertensiva específica da gravidez do que as gestantes de 15 a 35 anos. As mulheres com várias gestações e mais de 35 anos estão mais propensas ao desencadeamento das síndromes hemorrágicas.
A freqüência e qualidade do pré-natal e da qualidade da assistência do parto pode ser decisivo para o bom andamento da gestação, nesses casos.
Doenças mais comuns durante a gravidez
O resfriado é um dos indícios de infeçcão aguda, geralmente benígna, que ocorre no trato respiratório e pode acometer a mulher durante a gestação e se caracterizada por coriza e dor de garganta. A gripe é uma infecção aguda, altamente contagiosa, acompanhada de sintomas envolvendo o trato respiratório superior, provoca coriza, espirros, dor de garganta e tosse, além de astenia (fraqueza), anorexia (falta de apetite), febre elevada, cefaléia (dor de cabeça), dores musculares e articulares. A duração é de quatro a dez dias e a evolução é geralmente benígna.
De acordo com o especialista em ginecologia pela AMB, Dr. Evaldo Rodrigues Júnior, durante o tratamento é recomendado analgésicos e antitérmicos como o acetaminofen (Tylenol-Dôrico) e a diopirona (novalgina), além de descongestionantes nasais de ação sistêmica. "O uso de vitamina C é amplamente divulgado, podendo ser tomada em comprimidos efervescentes de um ou dois gramas, a cada 12 horas por 5 a 7 dias", prescreve o médico.
A candidíase vaginal é uma infeçcão causada por fungos, principalmente a Cândida Albicans. "A gravidez provavelmente é o fator predisponente mais comum, sendo que a severidade da infeçcão e a sua incidência, aumentam com o evoluir da gestação, apresentando seu ápice no terceiro trimestre", afirmou dr. Rodrigues. Cerca de 30% das gestantes têm a doença em algum momento da gestação. O tratamento durante este período é dificultado pela impossibilidade da prescrição via sitêmica, pela menor resposta à terapêutica tópica e pela maior freqüência de recidivas. "Todos os antimicóticos de uso local são efetivos, desde que sejam prescritos por períodos mais longos, de uma a duas semanas", salientou.
Cerca de 5% das mulheres grávidas, de acordo com o especialista, apresentam infecção urinária no primeiro trimestre da gravidez e entre 20 e 25% das mulheres desenvolvem pielonefrite aguda, aumentando os riscos de parto prematuro. Os quadros de cistite caracterizam-se por disúria (ardor ao urinar), polaciúria (desejo de urinar a todo momento) ou urgência miccional. Por outro lado, os quadros de pielonefrite aguda manifestam-se como febre, calafrios, dor lombar, astemia, náusea e vômitos.
O tratamento é realizado com penicilinas, cefalosporinas e nitrofurantoinas que podem ser utilizadas com segurança durante a gestação.
Diabetes: cuidados
Durante o pré-natal, a gestante diabética deve tomar algumas medidas para garantir sua saúde e do bebê. Entre os procedimentos estão o rastreamento do diabetes através de exames simplificados. Um deles é o teste de sobrecarga, realizado com 50 gramas de glicose e uma colher de glicemia após 1 hora, estabelecendo como limite de normalidade a glicemia de 130 mg/dl. Segundo o dr. Evaldo Rodrigues Júnior, especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira, este exame deve ser realizado ao menos duas vezes, no início da gravidez e por volta da 24ª/ 26ª semanas.
Também deve ser feita uma vigilância estreita, o que implica em consultas freqüentes (quinzenais a princípios, semanais no terceiro trimestre), registrando-se peso, pressão arterial, medida da altura uterina, fundo de olho (oftalmologista), exames laboratoriais. “Todas as diabéticas devem ser acompanhadas não só pelo obstetra, mas também por clínico ou endocrinologista e, se possível, por uma nutricionista”, salientou dr. Rodrigues.
Deve-se tratar complicações como a hiperemese gravídica (vômitos) e infeções (urinárias, respiratórias..) para evitar o desequilíbrio metabólico, além de controlar a diabetes através de curvas glicêmicas. A hemoglobina glicosilda deve ser verificada mensalmente, pois ela complementa a informação fornecida pelas dosagens de glicemia.
Com relação a dieta, sabe-se que a gravidez não modifica os princípios básicos do regime dietético da diabética. “Uma baixa ingestão calórica, porém não menor que 2000 calorias por dia. O ganho de peso deve ser em torno de 11/12 kg ao longo de toda a gestação", afirmou. A insulina é o medicamento de escolha no tratamento e controle do diabetes na gravidez e as doses devem ser individualizadas, dependendo das necessidades de cada paciente e da gravidade do quadro clínico. “A avaliação do bem-estar e da maturidade fetal é de grande importância, pois as perdas fetais estiveram associadas, até há poucos anos, à morte intra-uterina ou à prematuridade por interrupção precoce da gravidez”, concluiu o médico, acrescentando que atualmente utiliza-se como métodos de avaliação do bem-estar fetal a cardiotocografia computadorizada, ultra-sonografia obstétrica do dopplerfluxometria, métodos estes altamente precisos na avaliação da vitalidade e do bem-estar.
Cardiopatias
Nos países desenvolvidos, as doenças do coração são cada vez menos frequentes nas mulheres em idade fértil, principalmente devido a uma marcada descida dos casos de febre reumática, uma doença de que se sofre na infância e que lesa o coração. Cercade 1 % das mulheres que têm uma doença cardíaca grave antes de ficarem grávidas morrem em consequência da gravidez, geralmente devido a uma insuficiência cardíaca. No entanto, graças ao aperfeiçoamento dos processos de diagnóstico e dos tratamentos, a maioria das mulheres com doenças cardíacas podem dar à luz normalmente e os recém-nascidos são saudáveis. Nestas mulheres, o facto de ter um filho não tem de afectar permanentemente a função cardíaca ou reduzir a sua esperança de vida.
As alterações normais que são provocadas na circulação sanguínea durante a gravidez representam um esforço adicional para o coração pelo que uma mulher que está grávida ou que considera a possibilidade de engravidar deverá comunicar ao seu médico se tem ou teve alguma vez uma doença do coração.
A gravidez complica ainda mais o diagnóstico de uma doença cardíaca, porque o volume de sangue aumenta e provoca sopros (sons provocados pela repentina e turbulenta passagem do sangue pelo coração) que podem sugerir uma perturbação cardíaca, mesmo quando não exista nenhuma. Além disso, as veias dilatam-se, aumenta a frequência cardíaca e o coração tem um aspecto diferente nas radiografias.
Insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca é a incapacidade de o coração bombear a quantidade de sangue necessária ao organismo.
À medida que a gravidez avança, uma mulher com insuficiência cardíaca sente-se cada vez mais cansada, mesmo que descanse o suficiente, evite o stress, ingira alimentos nutritivos e suplementos de ferro para evitar a anemia e controle o seu peso. Os momentos especialmente preocupantes, em que as exigências do coração são maiores, verificam-se entre as 28.ª e 34.ª semanas de gravidez, durante o parto e imediatamente após o mesmo. A doença cardíaca da mãe pode afectar o feto; de facto, o feto pode morrer durante um episódio de insuficiência cardíaca da mãe, ou então pode nascer antes do tempo (prematuramente).
O trabalho durante o parto e a maior quantidade de sangue que volta ao coração procedente do útero quando ele se contrai aumentam em grande medida o esforço que o coração tem de fazer. Durante cada contracção uterina, o coração bombeia cerca de 20 % mais sangue. Uma mulher que tenha uma grave insuficiência cardíaca pode receber anestesia epidural para dessensibilizar a parte inferior da espinal medula e evitar assim que faça esforços durante o parto. Os esforços de expulsão interrompem transitoriamente a absorção de oxigénio pelos pulmões da mãe e, consequentemente, reduzem o fornecimento de oxigénio ao feto. O recém-nascido nasce por meio de fórceps ou por cesariana. O nascimento por fórceps implica um risco menor para a mãe do que uma cesariana, apesar de existirem maiores probabilidades de lesão no recém-nascido. Quando se verificam, estas lesões normalmente são pouco importantes. Depois do parto, produzem-se grandes variações na função cardíaca da mãe, como resultado de uma nova alteração nas necessidades. Uma mulher que tenha tido insuficiência cardíaca não se encontra fora de perigo, pelo menos até 6 meses depois.
Doença reumática do coração
A doença reumática do coração é uma complicação frequente da febre reumática em que uma ou mais válvulas cardíacas se estreitam, sobretudo a válvula mitral (estenose mitral).
Os problemas provocados por um estreitamento das válvulas do coração pioram durante a gravidez. Durante esta, a válvula estreitada tem de suportar a pressão de um aumento da frequência cardíaca, o aumento do volume de sangue e a sobrecarga a que o coração está sujeito. Como resultado, uma determinada quantidade de líquido pode ser retido nos pulmões e provocar um edema pulmonar (que é a complicação mais perigosa da estenose mitral).
Qualquer mulher com uma grave cardiopatia reumática deverá submeter-se a uma intervenção cirúrgica para reparar a válvula mitral antes de engravidar. Caso seja necessário, esta cirurgia pode ser feita durante a gravidez, mas as intervenções de coração aberto aumentam o risco de perder o feto ou de dar à luz prematuramente.
Durante a gravidez, a mulher deverá limitar a sua actividade física e evitar a fadiga e a ansiedade. O melhor momento para o parto é a data prevista para o nascimento ou poucos dias antes. Devido ao facto de as válvulas danificadas pela doença reumática serem mais susceptíveis às infecções, administram-se antibióticos como medida preventiva durante o parto, 8 horas depois de qualquer situação que aumente o risco de infecção, como uma intervenção dentária ou a rotura prematura das membranas que rodeiam o feto. Estas infecções são muito graves.
Cardiopatias congénitas
A maioria das mulheres com defeitos congénitos do coração (cardiopatias congénitas), mas que não tenha tido sintomas antes da gravidez não corre maior risco de complicações durante a mesma. No entanto, as mulheres que têm certas perturbações que afectam o lado direito do coração e os pulmões, como a síndroma de Eisenmenger e a hipertensão pulmonar primária, correm o risco de sofrer um colapso e morrer durante o parto ou pouco depois deste. A causa da morte é pouco clara, mas o risco é suficientemente importante para desaconselhar a gravidez. Se uma mulher com algum destes problemas engravida, o parto deve ser feito nas melhores condições possíveis e com a equipa completa de reanimação preparada. Podem ser administrados antibióticos para evitar a infecção das válvulas cardíacas anormais. O aborto espontâneo ou induzido depois da 20.ª semana de gravidez também resulta perigoso para estas mulheres.
Prolapso da válvula mitral
No prolapso da válvula mitral, as valvas desta válvula fazem saliência dentro da aurícula esquerda durante a contracção ventricular e, como consequência, escapam-se (regurgitação) pequenas quantidades de sangue para a aurícula.
O prolapso da válvula mitral, é mais frequente nas mulheres jovens e tem tendência para ser hereditário. Os sintomas consistem na presença de um sopro cardíaco, na consciência do batimento cardíaco (palpitações) e, por vezes, num ritmo cardíaco irregular (arritmia). A maioria das mulheres que têm este problema não tem complicações durante a gravidez, mas, em geral, são-lhes administrados antibióticos por via endovenosa durante o parto, para evitar uma infecção das válvulas do coração.
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Anemias
As anemias são doenças em que o número de glóbulos vermelhos ou a quantidade de hemoglobina (a proteína que transporta o oxigénio) que contêm são inferiores ao normal.
A maioria das mulheres grávidas tem algum grau de anemia que não é prejudicial. No entanto, as anemias provocadas por anomalias hereditárias na hemoglobina pode complicar a gravidez, pois aumentam o risco de doenças e até de morte do recém-nascido e a possibilidade de aparecerem doenças na mãe. De forma periódica, antes do parto, fazem-se análises ao sangue que detectam anomalias na hemoglobina nas mulheres cuja origem étnica ou cuja história familiar indica que têm maiores probabilidades de ter essas anomalias. Para detectar anomalias na hemoglobina do feto pode ser feito um estudo das vilosidades coriónicas ou uma amniocentese.
As mulheres que sofrem de drepanocitose, uma anomalia da hemoglobina muito frequente, são especialmente propensas a contrair infecções durante a gravidez. A pneumonia, as infecções das vias urinárias e as infecções do útero são as mais frequentes. Cerca de um terço das mulheres gestantes com drepanocitose sofre de hipertensão durante a gravidez. A crise drepanocítica (um episódio súbito e grave de dor com um agravamento da anemia) é uma situação bastante frequente nesta doença. Também pode ocorrer uma insuficiência cardíaca e lesões pulmonares provocadas por pequenos coágulos nos vasos sanguíneos (embolia pulmonar), com risco de morte. Quanto mais grave for a doença antes da gravidez, maior será o risco de adoecer ou morrer durante a gravidez.
As transfusões de sangue regulares para manter os valores da hemoglobina, bem como a utilização de outros tratamentos, reduzem o risco de complicações.
Doença infecciosa
As infecções das vias urinárias são frequentes durante a gravidez, provavelmente porque o crescimento uterino comprime os tubos que ligam os rins à bexiga (ureteres) e retarda o fluxo de urina. Como consequência deste retardamento, é provável que as bactérias não sejam arrastadas para fora das vias urinárias e aumentem as probabilidades de infecção. Estas infecções aumentam o risco de parto precoce e de uma rotura prematura das membranas que rodeiam o feto. Por vezes, uma infecção na bexiga ou nos ureteres sobe e chega ao rim, onde provoca uma infecção. O tratamento consiste na administração de antibióticos.
Algumas doenças infecciosas podem provocar danos no feto. A rubéola, uma infecção viral muito conhecida, é uma das principais causas de anomalias congénitas, sobretudo do coração e do ouvido interno. A infecção por citomegalovírus, pode atravessar a placenta e afectar o fígado do feto. Também a toxoplasmose , uma infecção causada por um protozoário, pode afectar o cérebro do feto e lesá-lo. As mulheres grávidas deverão evitar o contacto com gatos e com as suas fezes, que podem transmitir toxoplasmose, a menos que estes gatos estejam estritamente confinados ao âmbito da casa e não tenham contacto com outros da sua espécie. A hepatite infecciosa, pode provocar graves problemas durante a gravidez, especialmente em mulheres desnutridas. O feto pode ser infectado na última etapa da gravidez, o que aumentará a possibilidade de o parto se antecipar.
As doenças de transmissão sexual podem provocar problemas durante a gravidez. Por exemplo, a infecção por clamídias pode provocar uma rotura das membranas e um parto prematuro.
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), que provoca SIDA, é um importante problema na gravidez. Cerca de 25 % das mulheres grávidas que têm a infecção transmitem-na ao feto. Deve ser administrado um tratamento com AZT (zidovudina) o mais cedo possível na gravidez, pois reduz em dois terços a transmissão do vírus ao feto. Se estiver infectado, um recém-nascido pode adoecer gravemente com rapidez e, em geral, morre devido a complicações da SIDA antes dos 2 anos. A gravidez não parece acelerar o progresso da infecção pelo HIV na mãe.
O herpes genital pode ser transmitido ao recém-nascido durante um parto vaginal. Se, além disso, este recém-nascido estiver infectado pelo vírus HIV, pode desenvolver uma infecção cerebral por herpes, muito perigosa para a sua vida (encefalite herpética). Se uma mulher apresentar lesões cutâneas herpéticas numa fase avançada da gravidez, o seu médico normalmente recomenda um parto por cesariana, para evitar a transmissão do vírus ao recém-nascido.
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Cirurgia durante a gravidez
A maioria das afecções que precisam de cirurgia durante a gravidez são problemas abdominais. A gravidez pode dificultar o diagnóstico e complicar qualquer procedimento cirúrgico. Dado que a cirurgia pode provocar um aborto, sobretudo no início da gravidez, qualquer intervenção não urgente é protelada, tanto quanto possível, desde que a saúde da mãe não esteja em perigo.
A apendicite pode provocar uma dor tipo cãibra semelhante às contracções uterinas. Uma análise ao sangue pode detectar uma subida dos glóbulos brancos (leucócitos), mas, devido ao facto de o número destas células também aumentar, normalmente durante a gravidez, este exame é pouco fiável para diagnosticar a apendicite numa mulher grávida. Além disso, à medida que a gestação avança, o apêndice é empurrado para a parte superior do abdómen, pelo que uma dor no quadrante inferior direito (ponto em que se costuma localizar a dor da apendicite) durante a gravidez, não indica necessariamente que se trata desta doença. Se efectivamente parecer que se trata de uma apendicite, faz-se uma intervenção cirúrgica para extrair o apêndice (apendicectomia) de forma imediata, pois a rotura do apêndice durante a gravidez pode ser mortal. Não é provável que uma apendicectomia provoque lesões no feto ou desencadeie um aborto.
Por outro lado, durante a gravidez podem desenvolver-se quistos ováricos e provocarem cãibras dolorosas. A ecografia detecta os quistos ováricos com grande segurança e precisão. A menos que um quisto seja claramente canceroso, a cirurgia costuma ser adiada até depois da duodécima semana de gravidez, devido ao facto de o quisto poder estar a segregar hormonas associadas que ajudam a manter a gravidez e, muitas vezes, desaparecer de forma espontânea. No entanto, se o quisto ou a massa continuar a crescer ou for doloroso à palpação, ou a causa subjacente for um cancro ou um abcesso, pode ter de se fazer uma intervenção cirúrgica inclusive antes da duodécima semana.
As afecções da vesícula biliar surgem ocasionalmente durante a gravidez. À mulher grávida são feitas revisões frequentes para controlar o processo. No entanto, se a doença não melhorar, a cirurgia pode ser necessária.
A obstrução intestinal pode ser um problema muito grave durante a gravidez. Se se desenvolver gangrena intestinal e peritonite (inflamação do revestimento da cavidade abdominal), a vida da mulher corre perigo e, além disso, pode sofrer um aborto. Geralmente, quando uma mulher gestante tem sintomas de obstrução intestinal, faz-se habitualmente uma exploração cirúrgica, sobretudo se tiver antecedentes de ter sido submetida a uma intervenção cirúrgica abdominal ou de ter tido uma infecção abdominal anterior.
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PRÉ NATAL - DOENÇAS DOS BEBES- ACOMPANHAMENTO DAS MÃES.
O acompanhamento pré-natal compreende a realização de consultas médicas durante a gravidez, nas quais o médico realiza a avaliação global da gestante e também do crescimento do bebê. Além disso, são realizados diversos exames laboratoriais. Todas essas ações têm como objetivo detectar e tratar precocemente doenças ou condições que possam exercer efeitos danosos na saúde da mãe e/ou do bebê."
A gestação não é uma doença, e sim um processo fisiológico normal, que na grande maioria das vezes transcorre sem complicações. Esse grupo de mulheres que não apresenta complicações compõe o chamado grupo de gestações de "baixo risco". Porém, em alguns casos, a gestação pode já começar com problemas, ou esses surgem durante a mesma, apresentando uma possibilidade maior de evolução desfavorável tanto para a mãe quanto para a criança. São as chamadas gestações de "alto risco". O objetivo do pré-natal é garantir o bom andamento das gestações de baixo risco e, também, identificar adequada e precocemente quais as pacientes com maiores chances de evolução desfavorável.
Quando começar?
A assistência pré-natal deve ser iniciada assim que a possibilidade de gravidez for considerada, geralmente devido a atraso menstrual. Quanto antes for iniciado o acompanhamento, melhores serão os resultados alcançados.
A primeira consulta
Na primeira consulta, o obstetra tem a oportunidade de realizar uma entrevista detalhada com a gestante, englobando vários aspectos. São questões a serem levantadas: os sintomas que a paciente esteja sentindo; a história de doenças no passado; detalhes sobre os ciclos menstruais, a prática sexual e o uso de métodos anticoncepcionais; gestações prévias; doenças atuais, como pressão alta, diabetes, e outras; aspectos emocionais, se a gravidez foi planejada, se está sendo bem recebida.
A partir daí, inicialmente deve-se confirmar o diagnóstico de gestação. Para isso, existem alguns sinais no exame da paciente que podem ajudar, como o aumento do útero, mudanças nas mamas, na vagina e no colo do útero. Realiza-se também um exame de sangue, para detecção de um hormônio que está presente durante a gravidez, fechando o diagnóstico.
Após confirmada a gestação, a mulher deve fazer vários exames de sangue. O objetivo é detectar qualquer alteração ou doença que possa acometer a criança ou comprometer o seu desenvolvimento no útero. Os exames realizados, geralmente, são os seguintes:
• Grupo sanguíneo e fator Rh: importante porque se a mãe for Rh negativo e a criança Rh positivo (caso o pai seja Rh positivo), pode ocorrer uma incompatibilidade sanguínea que leva à destruição das células vermelhas do feto, podendo levar à sua morte antes mesmo do nascimento.
• Glicemia: para avaliação da presença de diabetes mellitus.
• Anti-HIV: para detectar a infecção por esse vírus (vírus da AIDS). Isso é importante porque existem medicamentos que se utilizados de maneira correta e no momento certo podem reduzir bastante o risco de transmissão do vírus para o bebê.
• Exame de sífilis: essa doença é causada por uma bactéria e pode ser transmitida ao bebê, podendo causar malformações.
• Exame de toxoplasmose: doença causada por um protozoário, também pode ser transmitido ao feto e causar malformações.
• Exame de rubéola: doença viral, que pode levar a abortamento e malformações graves.
• Exame de urina e urocultura: para detectar infecção urinária. A ocorrência de infecção urinária, durante a gestação, pode aumentar o risco de parto prematuro e de infecções mais graves (como a renal).
• Exame de hepatite B: caso a mãe seja portadora do vírus, existem condutas que reduzem a transmissão do mesmo para o bebê.
• Ultra-sonografia (US): atualmente, temos observado a utilização exagerada da US durante a gestação. Às vezes nos deparamos com mulheres que realizaram mais de 4-5 exames, o que é desnecessário. Indica-se, geralmente, dois exames. Um no primeiro trimestre, entre 11 e 13 semanas de gestação, para avaliação da idade gestacional. O outro, entre 18 e 20 semanas (segundo trimestre), para avaliar a presença de malformações. A realização de exames adicionais depende da presença de condições específicas, que exijam um monitoramento mais cuidadoso, como nas gestações de alto risco.
Periodicidade do Acompanhamento
Nas gestações de baixo risco, as consultas devem ser realizadas mensalmente até o sétimo mês de gravidez. A partir daí, a consulta deve ser a cada duas semanas até completar uma idade gestacional de 36 semanas. Depois disso, as consultas são semanais. Nas gestações de alto risco, o intervalo das consultas é menor, dependendo da necessidade de cada caso.
Em cada consulta são realizadas a entrevista e o exame físico, com palpação do abdome e determinação do tamanho do útero e a ausculta dos batimentos cardíacos fetais.
Nutrição
Outro aspecto importante do pré-natal é a avaliação a respeito da nutrição da gestante. Nas consultas, o médico faz um acompanhamento do ganho de peso da mãe, que não deve ser inferior e nem superior ao recomendado. Devemos ter em mente que as necessidades calóricas estão aumentadas, durante a gravidez, porém a mulher deve ter uma dieta balanceada, tendo o cuidado para evitar o ganho de peso excessivo, que pode ser prejudicial.
Além disso, indica-se a reposição de duas vitaminas. O ácido fólico é indicado nas primeiras semanas de gravidez, pois ajuda a prevenir algumas malformações. O ferro (sulfato ferroso) é recomendado a todas as gestantes a partir do segundo trimestre, até o término da lactação, pois ele não pode ser suprido apenas pela dieta normal da gestante. Recomenda-se também que a gestante receba alimentos ricos em cálcio.
Outras Questões Importantes
Além de todas essas abordagens já descritas, o acompanhamento pré-natal permite a avaliação de queixas comuns em gestantes, como náuseas e vômitos, constipação intestinal, queimação no estômago, inchaço e varizes nas pernas, cãibras, tonteiras, cansaço e dor nas costas. Essas queixas preocupam bastante as mulheres, e durante as consultas elas podem ter suas dúvidas esclarecidas ou receberem tratamento adequado. A orientação do uso de meia elástica também é importante para evitar o surgimento de varizes e diminuir o risco de trombose durante a gestação.
Outras questões levantadas durante o pré-natal são relativas ao uso de medicamentos. Sabemos que muitos remédios não podem ser utilizados durante a gestação, por causarem efeitos graves no feto. Assim, o acompanhamento médico é essencial para garantir que a gestante não utilize tais medicações. O médico também indicará a vacinação com a vacina antitetânica, que deve ser feita em todas as gestantes.
Como vimos, o pré-natal é de extrema importância, pois permite que a gestação seja conduzida da forma mais saudável possível. Além disso, as possíveis alterações são detectadas e tratadas precocemente, o que reduz bastante a chance de resultados desfavoráveis, protegendo a saúde da mãe e do bebê.
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